domingo, agosto 28

Domingo no parque

Leyendo plácidamente en el parque (ilustración de Anne Abgott)
Anne Abgott

Companheiros de todoa vida

pintoras:
“ Christina Paterson Ross (Scottish, 1843 - 1906): Fairy Tales (via Sotheby’s)
”
Christina Paterson Ross 
As pessoas que mais nos acompanham na vida talvez sejam livros 
Valter Hugo Mãe

Dê um clic na vida

 :

Assim começa o livro...

O que é curiosidade? Tudo começa com uma viagem. Um dia, quando tinha oito ou nove anos, em Buenos Aires, eu me perdi quando voltava da aula para casa. A escola era uma das muitas que frequentei em minha infância, e ficava a pouca distância de nossa casa, numa redondeza arborizada do bairro Belgrano. Então, como agora, eu me distraía facilmente, e todo tipo de coisa atraía minha atenção enquanto caminhava de volta para casa vestindo o uniforme branco engomado que todas as crianças da escola eram obrigadas a usar: a mercearia da esquina que, antes da era dos supermercados, tinha grandes barris de azeitonas salgadas, cones de açúcar embrulhados em papel azul-claro, latas azuis de biscoitos Canale; a papelaria com seus cadernos patrióticos ilustrando os rostos de nossos heróis nacionais e prateleiras nas quais se alinhavam as capas amarelas da coleção Robin Hood para crianças; uma porta alta e estreita com um vitral em formato de losango que às vezes era deixada aberta, revelando uma área interna escura onde um manequim de alfaiate enlanguescia misteriosamente; o gentil vendedor, um homem gordo sentado numa esquina sobre um minúsculo banquinho, segurando, como uma lança, suas mercadorias caleidoscópicas. Em geral, eu fazia o mesmo caminho para voltar da escola, contando os pontos de referência à medida que passava por eles, mas naquele dia decidi mudar o percurso. Depois de alguns quarteirões, percebi que eu não conhecia o caminho. Estava envergonhado demais para pedir informações, e assim fiquei vagando, mais espantado do que assustado, pelo que me pareceu um longo tempo. 

Não sei o motivo de ter feito o que fiz, exceto o de querer experimentar algo novo, seguir quaisquer pistas que pudesse encontrar para mistérios ainda não apresentados, como nas histó- rias de Sherlock Holmes, que tinha acabado de descobrir. Queria deduzir a história secreta do médico com a bengala surrada, revelar que as pegadas das pontas dos pés na lama eram de um homem que corria para salvar sua vida, perguntar a mim mesmo por que alguém usaria uma barba preta bem tratada que indubitavelmente era falsa. “O mundo está cheio de coisas óbvias que ninguém, em circunstância alguma, jamais observa”, disse o Mestre. 

Lembro-me de ter ficado consciente, com um sentimento de agradável ansiedade, de que estava entrando numa aventura diferente das que havia em minhas prateleiras e de ter experimentado algo com o mesmo suspense, com o mesmo desejo intenso de descobrir o que havia adiante, sem ser capaz de (sem querer) prever o que poderia acontecer. Senti como se tivesse entrado num livro e que estava a caminho de suas últimas páginas ainda não reveladas. O que exatamente eu estava procurando? Talvez tenha sido então que pela primeira vez concebi o futuro como um lugar que mantinha juntos todos os remates de todas as histórias possíveis. 

Mas nada aconteceu. Finalmente dobrei uma esquina e me vi em território familiar. Quando finalmente vi minha casa, senti um desapontamento. 

sábado, agosto 27

Lição de jovem

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Viver na multidão

En la librería, leyendo (autor desconocido)Os livros de alguma forma representam pessoas e, enquanto estivermos dentro de um espaço carregado de livros, estaremos na verdade no meio de uma multidão
Valter Hugo Mãe 

Visão de leitora na praia

Koren Shadmi

Até quando?

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O ipê rosa que enfeitava a rua já não tem flores. Agora, é um entrelaçado de galhos nus, e assim será até que brotem novas folhas, muito tenras e intensamente verdes. Ele é a prova viva da passagem do tempo, dos ciclos que se renovam, ano após ano. E me ensina que, apesar das perdas, há sempre um recomeço. Brincam na memória velhos ditados – nada como um dia após o outro, depois da tempestade vem a bonança, vão-se os anéis, ficam os dedos… Mas para onde terá ido a tal felicidade?

Andamos todos abatidos. Governo interino que age como titular, administrações desastrosas, infraestrutura deficitária e promessas eleitoreiras de candidatos opacos a prefeituras e câmaras medíocres. Por alguns dias, nos distraímos com as Olimpíadas, mas, agora que voltamos à rotina, sentimos o peso da ressaca, não dos jogos, mas de tantos desmandos.

Falando em ressaca, para piorar as coisas, nas cidades litorâneas, o mar e os ventos fizeram muito estrago, comprometendo a qualidade de vida dos cidadãos. Orçamentos já defasados antes disso não oferecem qualquer garantia de que reparos e indenizações acontecerão em breve. E assim, tensos por vários motivos, abrimos brechas para a instabilidade emocional e, consequentemente, fragilizamos a saúde.

Depois da festa esportiva, voltou a ser ruim folhear os jornais ou assistir aos noticiários, pródigos em violência e pessimismo. Ainda sobra um pouco de orgulho de quem somos, efeito residual do evento olímpico, mas é pouco, diante do constrangimento das malandragens internas, da carência de justiça e seriedade que nos acompanham desde sempre.

O ipê rosa, lá pelo meio de 2017, voltará a florir, como todos os anos. Até quando resistirá nossa alma tão ferida de desenganos?

Madô Martins

sexta-feira, agosto 26

Toque mágico

virginiamori:
“ Virginia Mori
https://www.facebook.com/Virg.Mori/ ”

Batizado na Penha

Resultado de imagem para Igreja da Penha - Rio de Janeiro ilustração
Eu sou um sujeito que, modéstia à parte, sempre deu sorte aos outros (viva, minha avozinha diria: “Meu filho, enquanto você viver não faltará quem o elogie…”). Menina que me namorava casava logo. Amigo que estudava comigo, acabava primeiro da turma. Sem embargo, há duas coisas com relação às quais sinto que exerço um certo pé-frio: viagem de avião e esse negócio de ser padrinho. No primeiro caso o assunto pode ser considerado controverso, de vez que, num terrível desastre de avião que tive, saí perfeitamente ileso, e numa pane subseqüente, em companhia de Alex Viany, Luís Alípio de Barros e Alberto Cavalcanti, nosso Beechcraft, enguiçado em seus dois únicos motores, conseguiu no entanto pegar um campinho interditado em Canavieiras, na Bahia, onde pousou galhardamente, para gáudio de todos, exceto Cavalcanti, que dormia como um justo.

Mas no segundo caso é batata. Afilhado meu morre em boas condições, em período que varia de um mês a dois anos. Embora não seja supersticioso, o meu coeficiente de afilhados mortos é meio velhaco, o que me faz hoje em dia declinar delicadamente da honra, quando se apresenta o caso. O que me faz pensar naquela vez em que fui batizar meu último afilhado na Igreja da Penha, há coisa de uns vinte anos.

Éramos umas cinco ou seis pessoas, todos parentes, e subimos em boa forma os trezentos e não sei mais quantos degraus da igrejinha, eu meio céptico com relação à minha nova investidura, mas no fundo tentando me convencer de que a morte de meus dois afilhados anteriores fora mera obra do acaso. Conosco ia Leonor, uma pretinha de uns cinco anos, cria da casa de meus avós paternos.

Leonor era como um brinquedo para nós da família. Pintávamos com ela e a adorávamos, pois era danada de bonitinha, com as trancinhas espetadas e os dentinhos muito brancos no rosto feliz. Para mim Leonor exercia uma função que considero básica e pela qual lhe pagava quatrocentos réis, dos grandes, de cada vez: coçar-me as costas e os pés. Sim, para mim cosquinha nas costas e nos pés vem praticamente em terceiro lugar, logo depois dos prazeres da boa mesa; e se algum dia me virem atropelado na rua, sofrendo dores, que haja uma alma caridosa para me coçar os pés e eu morrerei contente.

Mas voltando à Penha: uma vez findo o batizado, saímos para o sol claro e nos dispusemos a efetuar a longa descida de volta. A Penha, como é sabido, tem uma extensa e suave rampa de degraus curtos que cobrem a maior parte do trajeto, ao fim da qual segue-se um lance abrupto. Vínhamos com cuidado ao lado do pai com a criança ao colo, o olho baixo para evitar alguma queda. Mas não Leonor! Leonor vinha brincando como um diabrete que era, pulando os degraus de dois em dois, a fazer travessuras contra as quais nós inutilmente a advertimos.

Foi dito e feito. Com a brincadeira de pular os degraus de dois em dois, Leonor ganhou momentum e quando se viu ela os estava pulando de três em três, de quatro em quatro e de cínco em cinco. E lá se foi a pretinha Penha abaixo, os braços em pânico, lutando para manter o equilíbrio e a gritar como uma possessa.

Nós nos deixamos estar, brancos. Ela ia morrer, não tinha dúvida. Se rolasse, ia ser um trambolhão só por ali abaixo até o lance abrupto, e pronto. Se conseguisse se manter, o mínimo que lhe poderia acontecer seria levantar vôo quando chegasse ao tal lance, considerada a velocidade em que descia. E lá ia ela, seus gritos se distanciando mais e mais, os bracinhos se agitando no ar, em sua incontrolável carreira pela longa rampa luminosa.

Salvou-a um herói que quase no fim do primeiro lance pôs-se em sua frente, rolando um para cada lado. Não houve senão pequenas escoriações. Nós a sacudíamos muito, para tirá-la do trauma nervoso em que a deixara o tremendo susto passado. De pretinha, Leonor ficara cinzenta. Seus dentinhos batiam incrivelmente e seus olhos pareciam duas bolas brancas no negro do rosto. Quando conseguiu falar, a única coisa que sabia repetir era: “Virge Nossa Senhora! Virge Nossa Senhora!”

Foi o último milagre da Penha de que tive notícia.
Vinícius de Moraes

Ex-libris

the-flying-salmon:
“Ex Libris for Howard Moorepark. By Paul Landacre.
”

Papéis coloridos

Meu primeiro emprego foi como vendedora de uma pequena livraria em Fortaleza, aos dezenove anos, e eu poderia contar inúmeras histórias que me aconteceram nesse período. Da mulher que me pedia para escrever dedicatórias de um fictício amante apaixonado ao rapaz que ia diariamente me pedir que lhe contasse das minhas leituras e que acabou casando comigo. Da presença de Rachel de Queiroz no lançamento do seu livro de memórias Tantos anos às performances do poeta pernambucano Miró, que lotava a livraria em todos os seus eventos.

Nos meus primeiros dias de trabalho, eu praticamente só vendia dois livros: O mundo de Sofia e O Xangô de Baker Street. Eles vinham da Companhia das Letras, uma editora que eu não conhecia ainda, mas que me conquistou de cara e me ajudou muito no começo.

Primeiro, porque a venda inacreditável dos livros mencionados acima melhorou consideravelmente a minha comissão. Segundo porque eu não tinha tempo de ler tudo e precisava de informações para indicar as novidades para os clientes. Então a Companhia mandava resenhas dos livros em papéis coloridos, vários tons de todas as cores. Eu guardava um por um no colecionador de plástico que eu levei de casa. Até que não coube mais nada e eu tive a ideia de encadernar e deixar na mesa de leitura da livraria.

Foi um sucesso. Alguns clientes sentavam para ler o Caderno de Resenhas da Companhia das Letras. Escolhiam os livros e faziam encomendas. Eu morria de ciúmes. Se alguém sentasse à mesa e ignorasse meu precioso caderno de resenhas, eu pedia licença e o retirava de lá, com medo de alguma avaria.

Quando a livraria fechou, o caderno foi doado à artista plástica Alba Alves, maior fã da Companhia que passou por ali. Lemos na mesma época o Momentos do livro no Brasil e conversávamos sobre o papel da editora na história do livro. Ela mereceu herdar o volume.

Deixei o trabalho para voltar à faculdade de jornalismo. Quase no final do curso, o escritor Lira Neto, então editor da Fundação Demócrito Rocha, convidou-me para escrever um dos ensaios biográficos da saudosa coleção Terra Bárbara. Uma semana antes, eu estive com Frei Betto, que lamentava a falta de uma biografia sobre o frade cearense Frei Tito de Alencar. Aceitei o desafio e publiquei o livro Frei Tito em 2001.

Depois do Frei Tito, segui a carreira de escritora e alimentei secretamente, pouco a pouco, o desejo de publicar pela Companhia das Letras.

Enfim, chegou a minha vez. Levado pelas mãos da minha agente Lúcia Riff, em 2014, meu romance A cabeça do Santo foi publicado pela Companhia. A capa amarela escolhida pela designer Elisa Von Randow me fez lembrar dos papéis coloridos que eu guardava como tesouro aos dezenove anos, trabalhando na livraria.

É pela lembrança tão nítida desses dias que cometo o pecado da pieguice na hora de falar da minha relação com a Companhia das Letras. Tenho dois livros na casa, mais dois por vir em breve e vários planos para o futuro. Minhas editoras são minhas amigas, bem como todos os que cuidam de várias etapas de edição e divulgação dos meus livros.

Não passo por São Paulo sem visitar a casa e tenho um orgulho imenso de ser parte da comemoração dos trinta anos da Companhia das Letras, de maneiras diferentes, desde 1994. Toda pieguice será perdoada. É tudo sonho e narrativa.

Socorro Acioli

quinta-feira, agosto 25

Claras manhãs de leitura

ji-hyukkim:
“Publication of ‘Hanuol’s Reading Through Pictures,’ Image Box
”
‘Hanuol’s Reading Through Pictures'

MEC reprova lidos didáticos por ver racismo e machismo nas imagens

O FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) reprovou livros didáticos por considerar racistas e machistas imagens de mulheres, negros e até indianos em problemas sociais – como enchentes em São Paulo, dramas da seca na África e na Índia e até mesmo campanhas de saúde pública criadas pelo próprio governo federal.

Uma coleção de quatro volumes de Ciências da Natureza foi excluída do Programa Nacional do Livro Didático porque os avaliadores consideraram que algumas imagens caracterizam “discriminação e violação dos direitos humanos” ao reproduzir “estereótipos e preconceitos de condição social, étnico-racial e de gênero”.

Uma das imagens consideradas nocivas é a de mulheres africanas carregando vasos de barro, que ilustra a abertura de um capítulo sobre o drama da falta de água no planeta. Segundo o parecer, assinado em abril, ainda no governo Dilma, fotos como essa “trazem situações que retratam condições de inferioridade com relação aos negros e mulheres. Colocam também a mulher como vítima de desigualdade de direito a condições adequadas de vida”.

A mesma avaliação recebeu a foto de uma enchente cujas vítimas são pardas, e uma pintura naif que poderia muito bem ser interpretada como simpática ao movimento negro. Para o FNDE, as imagens ainda “enfatizam o desnível sociorracial acentuando distorções com conotações especificamente raciais e ferem o conceito de igualdade social”.

Na prática, o critério politicamente correto do MEC veta qualquer imagem dos livros em que mulheres, pardos ou negros estejam relacionados a notícias negativas. Acaba privando os estudantes da informação sobre o perfil étnico das pessoas que mais precisam de ajuda na sociedade brasileira.

Uma das imagens classificada como contrária aos direitos humanos foi produzida pelo próprio governo Dilma. Retrata o cantor Thiaguinho e sua bem-sucedida luta contra a tuberculose. Parte de uma campanha do Ministério da Saúde de conscientização sobre a doença, o cartaz ilustra o capítulo sobre doenças transmissíveis do livro de sexta série.

Até mesmo um cartaz de conscientização sobre a tuberculose, criado pelo Ministério da Saúde, foi considerado racista pelo MEC

O MEC viu racismo contra negros até mesmo em imagens que não são de negros. Foi o caso de uma fotografia de indianos com baldes na mão cercando um caminhão-pipa. A própria legenda no livro da sexta série informa que a foto é de Nova Déli e que a Índia é um dos países que mais sofrem com o racionamento de água.

A aprovação do FNDE define o sucesso de vendas de uma coleção de livros didáticos, pois seleciona as obras que serão usadas por 32 milhões de alunos do Ensino Fundamental de escolas públicas.

A autora da coleção, que prefere não se identificar por temer perder oportunidades no mercado editorial, foi professora de Ciências e Biologia na rede estadual e federal por 25 anos, escreve livros há 20 anos e já ganhou o prêmio Jabuti na categoria didáticos. Ao receber a notícia da reprovação dos livros, ela imaginou que os motivos seriam técnicos ou pedagógicos. Quando leu o relatório, ficou revoltada. “Nunca vi na minha vida uma barbaridade e uma perseguição como essas”, diz.

Leia mais, inclusive o parecer do PNDL

Lugar encantado

Arrumação

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Forçado a tirar da biblioteca as obras inúteis, para dar lugar a alguns volumes científicos recentes e romances modernos que frequentemente tenho de consultar, tomei em massa todos os poetas e os atirei ao porão. A estante não é um móvel, e sim um instrumento de uso diário, que seria mais ágil e pronto se os poetas, esses maçantes que tem pretensões a prateleira privilegiada, não estivessem ali, paralisando-lhe o funcionamento. Na adolescência todos nós lemos os poetas e, quando rapazes, possuímos uma bicicleta, mas é preciso não haver compreendido o sentido da vida para na idade madura continuarmos a nos servir desses velhos arneses do pensamento e da locomoção. Uma pessoa bem educada, chegando a certa idade, deve jogar no porão, com os respectivos acessórios, tanto a bicicleta como Petrarca
Pittigrilli, "1° ano ginasial, Turma B"

quarta-feira, agosto 24

Esposa no sacrifício

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O que você vai ser quando crescer

Então, em uma noite chuvosa, naquela mesma colônia de férias em Pentagna, eu estava com minha tia-avó Iacy quando ela me entregou um exemplar de “Um estudo em vermelho”. Eu nunca havia lido um livro que não fosse daqueles obrigatórios na escola. Fiz cara feia, não queria ficar lendo, mas minha tia-avó insistiu e, afinal, por que não? Estava chovendo!
fleurdulys:
“Reading a Book - Adrien-Jean le Mayeur
”
Adrien-Jean le Mayeur
Quando percebi, tinha mergulhado de cabeça naquele universo, investigando crimes com Sherlock Holmes, tenso pelo que viria nas páginas seguintes e ansioso para chegar ao final. Naquela madrugada mesmo, terminei o livro. Eu estava em êxtase, como só ficamos quando nos deparamos com uma revelação, com todo um mundo novo e cheio de possibilidades. Ainda naquelas férias, li “A volta de Sherlock Holmes” e dois infanto-juvenis de Sidney Sheldon: “O fantasma da meia-noite” e “A perseguição”. Ainda naquelas férias, resolvi que seria escritor.
Raphel Montes

Rios de prazer

Joost Swarte

Quem lê vive mais

igormaglica:
“ Antonio Berni (1905-1981), La muchacha del libro / Book Girl, 1936.
oil on canvas, 110 x 80 cm
”
Antonio Berni (1905-1981)
Uma sessão diária de leitura com duração de 30 minutos. De acordo com um estudo da Universidade de Yale, dos Estados Unidos, é disso que você precisa para viver 23 meses a mais do que quem não tem o hábito de ler livros.

Os pesquisadores da escola de saúde pública da universidade concluíram que quanto mais as pessoas leem, mais chances elas têm de ter a vida prolongada – mas três horas e meia por semana foi o período considerado o suficiente para a medida tenha o impacto positivo prometido.

Os novos resultados corroboram com outros estudos que ligam a leitura de livros a ajudar a manter o cérebro ativo e saudável.

A leitura de romances "treina" as regiões de processamento de linguagem do cérebro, criando um efeito chamado "engajamento cognitivo". Pesquisas da Universidade de Harvard e da Universidade de Emory (Atlanta) suportam essa teoria.

O estudo da Universidade de Yale envolveu 3.635 pessoas com idades de 50 anos ou mais. A expectativa de vida maior registra entre as pessoas que liam ou não foi avaliada com base na probabilidade de morte constatada por métodos que não foram publicamente detalhados.

Pessoas que liam mais de três horas e meia por semana apresentaram 23% menos chances de morte, enquanto as que liam até três horas e meia por semana apresentaram 17% menos chances de falecer do que as pessoas que não praticavam a leitura com regularidade.

Agora, os pesquisadores irão analisar os efeitos de livros de fição e não-fição, bem como dos livros digitais e dos audiolivros na saúde humana.