segunda-feira, setembro 26

Começando o dia

mzapplebee:
“Elisa Ferro
”
Elisa Ferro

150 anos de H. G. Wells

A guerra dos mundos (1898) é provavelmente a primeira história de invasão da Terra. Até então, existiam histórias em que ela era visitada por seres de outros planetas que vinham meramente no papel de observadores filosóficos. Foi Wells quem teve a ideia de dar a esses habitantes alienígenas uma civilização e uma tecnologia comparáveis às nossas e, em alguns aspectos, superiores; e de colocá-los contra nós na disputa pelo espaço vital de que precisavam, quando viram esgotados os recursos do seu próprio planeta.

Este livro surgiu durante o primeiro e mais literariamente brilhante período da carreira de H. G. Wells (1866-1946), quando ele produziu uma impressionante série de romances misturando informação científica, especulação filosófica e conhecimento jornalístico, além de um domínio seguro da narrativa de ação e aventura. Em pouco mais de uma década ele publicou A máquina do tempo (1895),A ilha do dr. Moreau (1896), O homem invisível (1897), A guerra dos mundos (1898), entre outros, além de dezenas de contos extraordinários.

The Building of Massive Structures to Reach God, Echoing Ancient Babylon and Their Foolish Attempts at Trying to Reach He Who Created Them:
Igor Morski
Toda essa produção, pela sua qualidade e originalidade, chega a parecer a explosão de uma supernova num céu noturno, considerando-se ser um escritor tão jovem (publicou A máquina do tempo aos 29 anos) e que também escrevia fartamente em outros gêneros. Seus romances mainstream não tiveram uma sobrevida editorial tão longa quanto a sua ficção científica, mas tiveram êxito na época, e são bem aceitos por muitos críticos até hoje.

Wells é um desses escritores de talento que têm a sorte de enriquecer muito cedo com seus escritos e usar esse sucesso para tentar mudar o mundo. Viajou muito, discutiu com luminares e estadistas de toda parte. Publicou dezenas de ensaios de história, sociologia especulativa, futurologia. Na história da ficção científica talvez somente Arthur C. Clarke tenha exercido um ativismo em escala internacional como o seu (Isaac Asimov ou Ray Bradbury também poderiam tê-lo feito, se viajassem de avião). Quanto às suas previsões futuristas, são mais ambiciosas do que as de Jules Verne, até porque foram publicadas sob forma de ensaios para uma futurologia.

Em suas obras filosóficas e de especulação histórica, Wells tentou imaginar para o futuro uma civilização mais humanista do que a nossa, no sentido de ver cada ser humano não apenas como um animal provido de força de trabalho ou um número numa estatística. Um modo de viver onde se reconheça que o trabalho e o consumo são termos de uma equação mais complexa, e não a fórmula essencial da vida.

Mas Wells não é um cientista que escreve, é um jornalista científico. Um jornalista da pena rápida e verbo fluente, mas com base na ciência. Não falo de conhecimentos científicos profundos; para um escritor como ele bastava ter um correto entendimento do que é o método científico, do grau de honestidade factual e da boa informação técnica necessários para construir as hipóteses especulativas que a ficção científica requer.

Os marcianos de Wells são o primeiro retrato do alienígena como encarnação do Outro, do Estranho, de tudo que representa o nosso medo diante do desconhecido, e principalmente de um desconhecido que nos provoca repulsa. Neste sentido, A guerra dos mundos trouxe aos leitores da época uma vigorosa e verossímil descrição literária de um Monstro Legião, um monstro que, ao contrário do monstro de Frankenstein, não é uma criatura isolada fabricada no sótão de um cientista imprudente. É uma espécie inteira, rival da nossa, disputando conosco um território que até então tínhamos imaginado ser exclusivamente nosso.

Braulio Tavares

É a vida!

Muitos ouvem vozes quando estão lendo

Senhor do Tempo:
Se você nunca passou por isso, provavelmente achará essa experiência bem estranha. Mas acontece que muitas pessoas por aí que ouvem vozes quando estão lendo. Por vezes só a voz do narrador, por vezes as vozes dos personagens, como se eles próprios estivessem lendo seus diálogos.

A cientista Ruvanee Vilhauer, da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, ficou curiosa sobre esse comportamento e decidiu pesquisá-lo mais a fundo. O resultado foi publicado recentemente no periódico Psychosis.

Ruvanee partiu de 160 postagens – 136 respostas e 24 perguntas – no Yahoo! Answers relacionadas à experiência de ouvir vozes durante a leitura. Ela então contratou uma equipe de programadores para categorizar os conteúdos, de forma que eles pudessem ser quantificados e analisados.

Ao analisar os dados, a cientista descobriu que 82,5% das pessoas que participaram das interações no Yahoo! Answers já tinham ouvido uma ou mais vozes durante suas leituras – entre elas, estavam leitores que também ouviam os sotaques dos personagens.O mais curioso é que a maioria delas presumia que todos tivessem esse tipo de experiência.

Um total de 10,6% nunca ouviu vozes durante a leitura e mostraram espanto sobre a possibilidade de alguém passar por experiências desse tipo. A pesquisadora notou ainda que dez dos internautas só perceberam que ouviam vozes ao ver alguém comentando sobre o assunto.

Esse é um dos primeiros estudos sobre o assunto. Ruvanee acredita que isso se deva ao fato de os cientistas, como muitos dos internautas avaliados, presumirem que todos tenham experiências como as deles.

domingo, setembro 25

Aparelho reciclado

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Anéis para apaixonados pelo livro

 Depois dos anéis com a arquiteturas icônicas de várias cidades do mundo, eis os feitos exclusivamente para os apaixonados por livros! Criados pela americana Roxy Becofsky, a designer se inspira na literatura para dar vida à sua série de joias em ouro e prata. Roxy faz cada uma das peças à mão, o que lhe proporciona maior liberdade para transformar a maioria de suas ideias em novos produtos.

“Cada peça que eu faço é trabalhada em prata esterlina sólida. Eu desenho, faço a escultura, moldo, elenco e finalizo tudo sozinha. Sem terceirização! Minha loja ‘Xanne Fran’ é uma empresa de uma só mulher.”

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Cada anel é feito individualmente e todos eles são únicos em sua própria maneira. A designer avisa que eles possuem pequenas falhas no metal e algumas partes podem ser ligeiramente mais escuras ou mais claras do que o retratado nas imagens.

A artista também cria modelos específicos para cada cliente, sob encomenda, com design personalizado. Além dos livros, Roxy trabalha em cima de outros temas como sereias, mapa mundi, botões, flores, foguetes.
Fonte: Follow the Colours

Luz e sombra

Emiliano Ponzi

A paixão pelo detalhe do García Márquez cronistas

Dario Arizmendi, naquela época e ainda hoje diretor do programa 6AM, da rádio Caracol, chamou de lado Luzangela Arteaga, que nem sequer completara 30 anos de idade, puxou-a para fora da cabine do programa e, sem rodeios, disse: “Sou muito amigo do Gabo, ele está preparando uma coisa especial, não sei o que é, mas me pediu para indicar uma pessoa detalhista, discreta, alguém especial. Pensei em você. Amanhã mesmo você vai para Cartagena”.

-- Assim, de uma só tacada, o mestre entrou em minha vida.

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Arteaga lembra, em uma tarde do inesgotável outono de Bogotá, já com 51 anos, como chegou então à cidade do Caribe colombiano, ligou para o telefone que Arizmendi lhe havia dado e foi até a casa “totalmente branca” de García Márquez. Naquele dia, deparou com um homem “muito sério, frio, muito diferente do que viria a ser dali em diante”. O Nobel colombiano a convidou a entrar e ambos se dirigiram diretamente para uma mesa de trabalho.: “Olhe, estou trabalhando nisso aqui”, disse ele, antes de ler para ela aquilo que seria o rascunho do primeiro capítulo de seu próximo livro, Notícia de um sequestro, cujo lançamento completa, agora, 20 anos. Nos dois anos seguintes, Arteaga seria a sombra sempre presente na produção da reportagem com a qual Gabo voltava ao jornalismo.

Maruja Pachón e seu marido, Alberto Villamizar, tinha proposto a García Márquez a ideia de escrever um livro com base na experiência dela durante o sequestro de que fora vítima dois anos antes. O escritor já estava bastante avançado no primeiro rascunho quando se deu conta, como ele mesmo relata na introdução ao texto, de que não faria sentido desvincular aquele sequestro dos outros nove que haviam ocorrido no mesmo período, em uma colômbia castigada pelo narcotráfico e submetida aos desmandos de Pablo Escobar, personagem que atravessa implicitamente toda a obra.

É nesse momento que Arteaga, bastante cautelosa ao falar sobre o livro nesta comemoração de seus 20 anos, passa a ocupar um papel fundamental. “Naquele dia, na sua casa, ele me contou os detalhes infindáveis que queria comprovar”, lembra a jornalista. “Para ele, o fato de os protagonistas de eventos tão espantosos se abrirem para ele foi maravilhoso”. Mas isso não bastava. Gabo queria mais. “Precisava ambientar aquilo que lhe relatavam, o que havia do lado de fora, confirmar até o mais mínimo detalhe, saber quanto frio estava fazendo, os semáforos que existiam por perto, os tiros que foram dados. Queria saber absolutamente tudo. Essa foi a minha tarefa ao longo dos dois anos que se seguiram”.

Depois de fazer incontáveis entrevistas, em que Gabo, como relata Maruja Pachón, insistia até a exaustão para fazer os personagens exporem todos os detalhes, sua prima-irmã e secretária particular, Margarita, transcrevia as horas todas de gravação. A partir disso, ele se reunia com Arteaga: “Um encontro com o mestre era sinônimo de tarefas para dois meses”. Os dois se punham a revisar as anotações sobre as transcrições e a falar sobre os cenários. Sobre os detalhes. Sempre os detalhes. Foi nesses momentos que Arteaga se deu conta da grandeza do Nobel. “Não havia espaço para dúvidas, e, quando isso acontecia, íamos em frente até checar tudo. Se não conseguíssemos fazer isso, aquilo não entrava no livro”.

O apego de Gabo às minúcias não tinha limite. “Ele queria ir à casinha onde Maruja e Beatriz tinham ficado, queria entrar no banheiro... Ou entrar no carro de onde elas foram tiradas e levadas depois para se encontrar com Marina. Elas tinham contado, como aparece no livro, que conseguiam respirar e ver alguma coisa. Ele queria saber exatamente o que. Fui atrás desse carro durante dois anos, mas foi impossível achar”, lembra Arteaga. Embora hoje ache graça, foi um trabalho exaustivo de verificação, em que tinha de se empenhar profundamente. “Eu vivia angustiada, não podia haver nenhuma imprecisão, tive o cuidado de fazer com que tudo o que eu informava a ele fosse acompanhado de alguma documentação”, relata, mostrando alguns papeis que ainda guarda: recortes de jornais, revistas, documentos, solicitações oficiais... Nem tudo aquilo foi utilizado. Alguns itens estavam ali por mera curiosidade, como o resumo que teve de fazer para ele das novelas que Pacho Santos, ex-vice-presidente da Colômbia, assistia no seu cativeiro.

sábado, setembro 24

Café da manhã

Reading:

O cadáver distraído

Big blog is watching you: Hans Holbein, o Jovem:
Hans Holbein, o Jovem
Era tão distraído que, no dia em que morreu, continuou por aí, como se nada tivesse acontecido.
Luis Giffoni 

Não há incompatibilidade

Vacation: Surfing with the books /Vacaciones: surfeando entre libros (ilustración de Chris Gall) Via: faredisfare:
Chris Gall

Mil livros até ao Natal

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Uma aldeia portuguesa situada a mais de mil metros de altitude tem apenas cerca de 150 habitantes, dos quais 15 ou 20 são crianças e adolescentes. Mas não é por isso que não merece uma pequena biblioteca (foi, pelo menos, o que o dramaturgo Abel Neves, com casa no local, achou) e há quem esteja a lutar por ela com unhas e dentes. Em Pitões das Júnias, no concelho de Montalegre, a Junta de Freguesia quer pôr a sua gente a ler e até já tem algumas prateleiras cheias de livros que vieram de muitos lados, Brasil incluído, provando que os leitores são sempre generosos. A iniciativa Um Livro para Pitões foi lançada por Rui Barbosa, um bracarense apaixonado pelo Parque Natural da Peneda-Gerês, e tem uma página no Facebook (ver no fim da mensagem) que apela à doação. O objectivo é que se consigam 1000 livros até ao Natal para formar uma biblioteca que faz falta num lugar que é um pólo cultural muito interessante, no qual se realizam já as Jornadas das Letras Galego-Portuguesas, o Fiadeiro dos Contos e ainda a celebração do Entrudo, que leva milhares de forasteiros a Pitões. Os livros podem ser enviados pelo correio ou entregues em mão (o pretexto é, de resto, óptimo para visitar esta terra linda). De que está à espera com tanto livro lá em casa em que já não voltará a pegar?

sexta-feira, setembro 23

Dica de passeio

Paris. A porta estreita.:

Perguntas

Num tempo em que muitos dos escaparates de algumas Livrarias e das grandes superfícies comerciais exibem os livros escalonados pela quantidade de exemplares vendidos, os célebres top 10 ou top 20, interrogamo-nos, com excessiva estranheza, por que não figuram outros autores e outros livros. Os escritores, que admiramos, estão expostos em estantes mais discretas. Obrigamo-nos a procurá-los num lugar mais recôndito da Livraria.

Por que razão se destacam os livros por esse critério? Será que ser conhecido socialmente dá notoriedade e grandeza a uma escrita? Terá a máquina publicitária a capacidade de transformar um informe registo escrito num best seller? 

Há um leque de livros cujos autores são figuras dos Media, desportistas, videntes, figuras do denominado jet set, etc. Os livros que produzem apostam na exposição mediática dos seus autores. Que tipo de serviço prestam as Editoras publicando estes livros? Servirão a Cultura? Defenderão a Literatura ou olharão apenas para os próprios interesses comerciais tendo como finalidade primeira o aspecto económico, o lucro?

Pedaço do tempo

Lenda do nascimento de Sargão I, em escrita cuneiforme, século VII aC.(Biblioteca Britânica)

Restaurada biblioteca mais antiga do mundo

A biblioteca Al Quaraouiyine em Fez, no Marrocos, é considerada a mais antiga do mundo e em breve estará de novo aberta ao público, depois de três anos fechada para recuperação. A abertura estava prevista para setembro, mas não tendo sido possível cumprir o prazo, o projeto deve estar completo ainda antes de 2017.

Aziza Chaouni, a arquiteta encarregada de recuperar esta biblioteca, explica que todo o processo é como “curar feridas”, tendo sido renovado o edifício e alguns dos tomos históricos da biblioteca. “Espero que as pessoas vejam a biblioteca como uma segunda casa”, acrescentou a arquiteta em entrevista à AP.


A biblioteca tinha sido fechada para obras para resolver um problema de umidade que estava a causar a deterioração dos livros e de manuscritos. Foi refeito o sistema de esgotos e o sistema de canalização da biblioteca e foi também criado um laboratório para tratar e fazer uma recuperação de textos mais antigos, bem como digitalizá-los.

A biblioteca da Universidade Al Quaraouiyine alberga vários livros com grande valor histórico, sendo um dos mais preciosos um Alcorão — o livro sagrado do Islamismo — do século IX, escrito em cúfico, a caligrafia árabe conhecida mais antiga. O texto está escrito em pele de camelo. Ao todo existem mais de 4.000 livros raros entre o espólio, segundo a Associated Press.

A biblioteca foi fundada por Fatima al-Fihri no século IX d.C. O projeto desta filha de um mercador rico era o de criar um complexo que incluía a biblioteca, mesquita e universidade de Al Quaraouiyine. A Universidade é considerada a mais antiga de sempre, tendo sido oficialmente fundada em 859 d.C.

Nas últimas décadas a biblioteca estava reservada a académicos que pediam acesso prévio a certos documentos. No entanto, o novo projeto da biblioteca pretende que esta esteja aberta ao público em geral, informa o jornal inglês The Guardian.

Esta preservação e recuperação do edifício e de alguns destes livros ganha importância na atualidade, já que vários grupos extremistas destruíram monumentos e documentos históricos, como o saque da biblioteca de Mosul, tendo sido queimados milhares de manuscritos, ou a destruição da cidade de Palmira.
Fonte: Observador

quinta-feira, setembro 22

Hora de café e sonhos

The Extraordinary Illustrations By Lucas de Alcântara | Abduzeedo Design Inspiration & Tutorials:

Da minha mesa de trabalho

Passagem do tempo. Quando os bebês nascem é comum os pais saberem o progresso de seus filhos. Engatinham com tantos meses, falam com outros tantos. Sabemos tudo. Quando anda, quando nasce o primeiro dente.

O mesmo não acontece com o envelhecimento. Cada qual envelhece de maneira própria. Uns são grisalhos aos trinta anos, outros só aos sessenta. Engordamos. Rugas se aninham nos olhos. Hormônios desaparecem. Juntas sofrem. Tudo isso em diferentes idades e de maneiras diversas. Somos o resultado das nossas escolhas pregressas, da genética e do acaso.

Estou num momento em que tenho amigas da mesma idade que eu, amigas vinte anos mais velhas e amigas tão jovens que poderiam ser minhas filhas.

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Dizem que envelhecer está na cabeça. Não é bem verdade. O corpo envelhece. Há dores. Perde-se audição, visão, um tanto de mobilidade, mesmo para aqueles mais devotos à vida saudável, restrições abundam.. É uma batalha constante o mero sobreviver.

Envelhecer se reflete também nas atitudes. Hoje temos inúmeras melhorias no envelhecer e desafios incalculáveis. Eletrônicos, internet, ferramentas e aplicativos exigem destreza nas mãos artríticas e são uma barreira entre aqueles que se habilitam e os que resistem a inovações.

Recentemente ajudei uma amiga a instalar alguns aplicativos no seu celular. Ela, já na oitava década de vida, saiu da comunicação por papel à comunicação por celular sem passar pelo email. Nunca dominou a arte de receber e passar emails. Ela não está sozinha. Há ainda muita resistência aos “novos métodos”. A divulgação constante de fraudes na internet não ajuda a quem já fragilizado pela idade, se sente um pária no mundo informatizado. Vulnerável.

A resistência às inovações aumenta a percepção do envelhecimento. Todos nós preferimos o que conhecemos. Mudar requer esforço. Tenho visto muita resistência à entrada nas redes sociais pelas amigas mais idosas. Pena. Perdem a oportunidade de se conectar com netos, sobrinhos, amigos distantes e de fazer novos conhecidos. Já vivem uma vida de grande reclusão, este seria um bom paliativo para o distanciamento. Vejo também resistência ao livro eletrônico. No entanto, ele é de grande ajuda para quem já não enxerga tão bem e para quem não pode levantar muito peso na mão artrítica. Não só o livro ficaria mais fácil de segurar, como o preço reduzido ajudaria no bolso cada vez mais vazio do aposentado.

Produtos eletrônicos poderiam servir melhor a todos, com botões de fácil manejo para dedos imprecisos e explicações claras, beabá, porque nem todos têm um adolescente na família que possa ou queira dar instruções a seus familiares.

Não está fácil essa adaptação ao mundo virtual, para os mais velhos ou para quem resiste a mudanças. Mas assim como temos que nos exercitar e comer equilibradamente, também temos que nos manter em dia com as inovações. Não adianta resistir. O mundo muda, sempre, a toda hora. Mesmo que seja incômodo, temos que ir junto. Seria uma maneira do envelhecimento se tornar um pouco menos restritivo.

Halterofilista

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Os livros mudam o mundo?

Os livros mudam o mundo? Interferem eles com as pessoas, a ponto de transformá-las e transformar toda a sociedade? Se você acha que não, permita-me discordar. Mudam, sim. Alguns livros têm o extraordinário poder de convencer-nos, seduzir-nos e levar-nos a acreditar em seus argumentos. De quebra, carregam o mundo na esteira de sua lógica. Aliás, carregam até mundos. 

Livros...um portal para outros mundos...:

Um desses livros mexeu não só com a Terra, mas ainda com o Sol, a Lua e os planetas. Refiro-me a um tratado de astronomia que, há mais de 2300 anos, faz a cabeça das pessoas. Adotado pela Igreja como dogma, fez até a cabeça de Deus, que passou a punir quem desacreditava em seus ensinamentos. Ai de quem duvidasse dele. Que obra é essa? Trata-se da multimilenar "Do Céu", escrita por Aristóteles, o genial filósofo grego que deu pitaco em todo o conhecimento de sua época, fundou muitas das atuais ciências, além de fazer a cabeça de seu aluno Alexandre, o Grande, que espalharia o conhecimento do mestre até a Índia. 

Pois Aristóteles defendia que a Terra estava no centro do Universo, cercada por dezenas de esferas em cujo interior tudo girava. Tão convincente foi que, por mais de 1500 anos, o geocentrismo prevaleceu. Muita gente foi para a fogueira por discordar que a Terra estivesse no centro do universo, embora o heliocentrismo tivesse surgido pouco depois da morte de Aristóteles, na própria Grécia, com Aristarco de Samos. O mais engraçado é que, em pleno século 21, um quinto dos norte-americanos e dos europeus ainda continua aristotélico, isto é, acredita que o Sol gira ao redor da Terra. 

Livros fazem ou não fazem a cabeça da gente?