segunda-feira, fevereiro 20

Beijo literário

Rua dos sebos


O Cheonggyecheon Peace Market's Secondhand Book Street, em Seul, é uma dessas jóias escondidas. Crescendo de forma constante desde a década de 1960, muitos colecionadores caminham de longe para procurar por edições limitadas e livros raros, nostálgicos do cheiro da tinta e da visão cada vez mais rara de livros empilhados do chão ao teto, parede a parede. 

Amor ao luar

Samaasky: "BookLovers 💖🙌"

Assim começa o livro...

Resultado de imagem para todos os homens s]ão mentirososQue verdade é essa que as montanhas limitam e que é mentira no mundo que além delas se estende?

Michel de Montaigne, Apologia de Raymond Sebond Mas vir falar comigo, logo comigo, de Alejandro Bevilacqua? Meu caro Terradillos, o que posso lhe dizer desse personagem que cruzou minha vida trinta anos atrás? Pois eu mal o conheci ou, se o conheci, conheci-o de maneira superficial. Aliás, para ser franco, eu não quis conhecê-lo de verdade. Quer dizer, eu o conheci bem, confesso, mas de uma forma distraída, a contragosto. Nossa relação (por assim dizer) tinha alguma coisa de cortesia oficial, dessa nostalgia compartilhada e convencional dos expatriados. Não sei se você me entende. O destino nos uniu, como se diz, e se você me obrigar a jurar, com a mão no peito, que éramos amigos, serei forçado a confessar que não tínhamos nada em comum, a não ser as palavras República Argentina gravadas em letras douradas no passaporte.

É a morte desse homem que o atrai, Terradillos? É a visão, essa que continua alimentando meus pesadelos, embora eu não a tenha visto com meus próprios olhos, de Bevilacqua caído na calçada, o crânio destroçado, o sangue escorrendo rua abaixo até o bueiro, como se quisesse fugir do corpo inerte, como se não quisesse fazer parte desse crime abominável, desse final tão injusto, tão inesperado? É isso que você está procurando?

Permita-me duvidar disso. Não um jornalista apaixonado pela vida, como você. Não alguém que é pau para toda obra, como eu o definiria. Você, Terradillos, não é um autor de necrológios. Ao contrário. Você, questionador do mundo, quer conhecer os fatos vitais. Quer narrá-los para seus leitores, para esses poucos que se interessam por um artífice como Bevilacqua, cujas raízes um dia revolveram a região de Poitou-Charentes. Que é a sua, também, Terradillos, não vamos nos esquecer disso. Você quer que esses leitores conheçam a verdade, conceito perigoso, se é que um dia existiu. Você quer redimir Bevilacqua em seu túmulo. Você quer dar a Bevilacqua uma nova biografia
urdida com pormenores baseados em lembranças reconstruídas com palavras. E tudo isso pela mísera razão de que a mãe de Bevilacqua nasceu no mesmo canto do mundo que você. Que empresa vã, meu amigo! Quer um conselho? Dedique-se a outros personagens, a heróis mais coloridos, a celebridades mais chamativas das quais Poitou-Charentes pode se orgulhar de verdade, como aquele mariquinhas heterossexual, o oficial da marinha Pierre Loti, ou aquele mimado das universidades ianques, o careca Michel Foucault. Esse é o meu conselho. Você, Terradillos, sabe redigir crônicas sábias; escute o que lhe digo, que dessas coisas eu entendo. Não perca seu tempo com nebulosidades, com as lembranças confusas de um velho rabugento.

sábado, fevereiro 18

Leitura no café

Re-pinned by: http://sunnydaypublishing.com:

No lugar onde Diadorim morreu, não ha livros de Guimarães Rosa

Resultado de imagem para grande sertão veredas
O sertão que serviu de cenário para o embate épico entre Diadorim e Hermógenes nunca esteve tão vazio de escolas, livros e gente. Nos últimos anos, a prefeitura de Buritizeiro (MG) fechou 38 das 50 escolinhas de primeira a quinta série do ensino fundamental que funcionavam na zona rural. No distrito de Paredão de Minas, a 85 km por estrada de terra da sede do município, local exato onde Diadorim morreu, a escola ainda está aberta, mas não há um único exemplar de Grande Sertão: Veredas ou outros livros de Guimarães Rosa na pequena biblioteca.

Nos anos 1950, quando o romance foi publicado, havia mais moradores no interior de Buritizeiro que nos dias atuais. Eram 6,5 mil pessoas nos sítios, fazendas e povoados. Hoje são 3,3 mil. O porcentual de moradores no meio rural despencou de 72% para 11% entre a década de 1960 e 2016. É um índice de concentração urbana elevado para um município que possui o quinto maior território de Minas Gerais.

A política de educação adotada pelo município não apenas foi impactada pelo decréscimo da população no interior como incentiva o êxodo rural. A centralização do ensino, com o fechamento de escolinhas no campo, tem levado famílias a se mudar para o centro de Buritizeiro para garantir o estudo dos filhos. No ano passado, a prefeitura fechou escolas do ensino básico nos lugarejos de Galhão, Felismone, Fazenda Chapahaus, Limeira, Marruás e Comunidade Sambaíba – esta última citada como lugar de passagem do bando de Riobaldo. A conta não inclui escolas fechadas por motivo de falta de alunos, como foi o caso da que funcionava em Cachoeira das Almas.

No cargo desde janeiro, a secretária de Educação de Buritizeiro, Kelen Bitencourt, avalia que, na cidade, as escolas estão mais preparadas para atender aos alunos. Ela diz que a centralização escolar trouxe economia para as contas do município e facilitou a vida de professores, que tinham de ficar até duas semanas fora para atender estudantes do interior. Hoje o município tem cinco escolas de primeira a quinta série, uma infantil e duas creches no perímetro urbano. Kelen, porém, reconhece que o fechamento das escolas no campo prejudica o desenvolvimento dos povoados rurais. “É um problema social que atrapalha as comunidades do interior”, afirma.

Há 24 anos na rede de ensino municipal, ela relata que nunca houve nesse período trabalho para divulgar o Grande Sertão: Veredas entre professores e alunos.

Paredão de Minas é um dos lugares que os moradores temem que desapareça. Nas três ruas do lugar, mais de 40 casas estão abandonadas. Com o predomínio dos eucaliptos, postos de trabalho nas fazendas diminuíram. O fim das carvoarias também representou desemprego. O posto dos Correios fechou há dois anos. Há ainda a preocupação de que a obra de uma usina hidrelétrica no Rio do Sono, um projeto antigo, possa acelerar o fim do distrito.

O Estado chegou no fim de uma tarde de novembro ao distrito de Buritizeiro descrito nas últimas páginas do romance de Guimarães Rosa. Uma chuva tinha passado por lá. Um filete de claridade do sol entre as nuvens carregadas se refletia nas pedras ovais e alaranjadas que formavam um caminho até as margens do Rio do Sono. O cerrado estava esverdeado, mas numa coloração pouco vistosa. Boa parte das casas do povoado estava abandonada. Não havia ninguém nas ruas.

Foi esse trecho do Rio do Sono que o bando de Riobaldo atravessou para o combate final com Hermógenes. Ali, no centro do povoado, Diadorim cravou a faca em Hermógenes, que sucumbiu. No embate, Diadorim foi ferida mortalmente.

O nome do lugar faz referência a um morro de argila vermelha na outra margem, já no município de João Pinheiro. Aqui, o Sono é encachoeirado, sujo, com uma cor vermelha, do barro arrancado das margens, dos pedaços de paus arrastados, dos afluentes tomados pela lama. “É tempo de entrada das águas”, explica Givaldo Barbosa, único comerciante do povoado.

A rede de energia elétrica chegou há alguns anos ao Paredão, mas o abastecimento é irregular. É comum o lugar ficar sem luz durante dias. Nas noites quentes e escuras do vilarejo, é possível ver um céu estrelado. Aves, insetos e répteis na folhagem da beira do rio tornam as noites barulhentas. Sapos maiores que codornas se confundem com as pedras arredondadas e amareladas da beira do curso.

sexta-feira, fevereiro 17

Pra começar o dia

Oil Painting by American Artist David P. Hettinger:
David P. Hettinger

O melhor relaxante



Reading in the bathtub. Pin if you like the painting! :) #reading #books #bathtub:
Quando me angustio, vou para o refúgio. Nenhuma necessidade de viajar; ir juntar-me às esferas de minha memória literária é suficiente. Pois existe distração mais nobre, existe mais distraída companhia, existe mais delicioso transe do que a literatura?
Muriel Barbery, "A elegância do ouriço"

Leitor sonhando

Livros:

Desta terra nada vai sobrar a não ser o vento que sopra sobre ela

Câmeras na periferia com pretensão à classe média gravam: Está difícil ficar vivo nesta terra

— Moça!

— E, anh, te conheço?

— Não. Só quero saber a hora.

— Por que pergunta pra mim?

— É só uma pergunta.

— Não chega perto! Pergunta pra outro.

— Não tenho mais a quem perguntar.

— Tem tanta gente no mundo. Não tenho resposta para nada.

— Só tem você na rua a esta hora.


Dê Almeida
— Tem mais de 8 bilhões de pessoas no mundo e você vem perguntar logo pra mim?
— É a pessoa que está mais perto.

— Pergunte pra outra, já disse. Procure.

— Onde?

— A cidade é grande, o país é grande, o mundo enorme, vá pelas galáxias.

— Onde estão as outras 7.999.999.999 pessoas?

— Quer endereço? Qual é? Estão por aí, vá até a esquina. Vá ao centro. Vá aos parques, aos shoppings. Vá às manifestações de protesto, tem tanta gente lá, devem saber mais do que eu o que o senhor ia perguntar.

— Custa responder?

— Não gosto de falar com estranhos.

— É só uma pergunta!

— Mas você pode engrenar na conversa, me enganar, me dar uma facada, um tiro, me estrangular, me violentar, me bater, me esfaquear, deixando meus intestinos de fora.

— Está louca, pirada, fumou crack, qual é?

— Tive duas amigas estupradas, você tem cara de estuprador, sai, sai. Só estou na rua porque estou voltando do meu primeiro emprego, fiquei desempregada sete anos, passei fome, quase virei puta.

— Tenho cara de estuprador?

— Não sei a cara deles, você está me levando na conversa, vai me degolar, cortar minha orelha, furar meus olhos, arrancar minha bocetinha, cortar meus dedos, arrancar meu nariz, meus dentes. E acabei de colocar este aparelho, me custou tanto! Não arranque meus dentes, moço.

— Está louca? Que neura! Só quero fazer uma pergunta.

— Quem me diz que você não é um homem bomba, puxa um cordão, explode tudo, você, eu, as casas, arrasa o quarteirão, mata um monte de gente? Sei que você quer me degolar como esses terroristas da televisão, lá do Oriente. Aquilo nem existe, deve ser filme.

— Olhe para mim, estou de bermuda, camiseta. Onde está a bomba? A faca para degolar?

— Isso é maneira de se vestir?

— Com este calor é!

— Canalha, o senhor é um canalha.

— E você, louca!

— Viu? Se revelou. Marginal, black bloc, isso que você é. Vândalo, destruidor de vitrine, de orelhões, de lixeiras, de caixas de correio, ladrão de bolsa de mulher, quer meu celular, ladrão de caixas eletrônicos. Meu deus! Cadê a polícia! Socorro, socorro. Não tem ninguém, ninguém. Ele vai me matar.

— Cala a boca, moça! Cala!

Ela não se calou.

— Cale-se. Não é nada disso.

Ela não se calou.

— Cale-se, pelo amor de Deus!

Ela não se calou. As pessoas estão transtornadas, neuróticas, todos têm medo. Do quê?

— Cale-se, te peço, cale-se.

Ela não se calou. Não havia outra maneira. Juro que se tivesse uma faca cortaria a garganta dela, ficou histérica, vão acabar me prendendo nesta merda deste bairro. Janelas se abrem, as pessoas gritam umas para as outras das janelas, chamem os seguranças, apitos, linchem, linchem, cortem em pedacinhos. Fujo, corro, me escondo, cachorros latem em todas as casas, luzes se acendem, alguém chamou a polícia. Me tranco dentro de um banheiro químico fedorento, vomito de medo e nojo. Tá difícil ficar vivo nesta terra.

Ignácio de Loyola Brandão (Trecho do romance inédito)

quarta-feira, fevereiro 15

Para um bom sono

nice poster:

Nova e maravilhosa era

Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro
Henry David Thoreau
Un librero lector, noctámbulo y muy animal (ilustración de Jung Senarak)

Somos ovelha negra

Yayo:

O nascimento da crônica

Há um meio certo de começar a crônica por uma trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor! Diz-se isto, agitando as pontas do lenço, bufando como um touro, ou simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Resvala-se do calor aos fenômenos atmosféricos, fazem-se algumas conjeturas acerca do sol e da lua, outras sobre a febre amarela, manda-se um suspiro a Petrópolis, e La glace est rompue; está começada a crônica.

Mas, leitor amigo, esse meio é mais velho ainda do que as crônicas, que apenas datam de Esdras. Antes de Esdras, antes de Moisés, antes de Abraão, Isaque e Jacó, antes mesmo de Noé, houve calor e crônicas. No paraíso é provável, é certo que o calor era mediano, e não é prova do contrário o fato de Adão andar nu. Adão andava nu por duas razões, uma capital e outra provincial. A primeira é que não havia alfaiates, não havia sequer casimiras; a segunda é que, ainda havendo-os, Adão andava baldo ao naipe. Digo que esta razão é provincial, porque as nossas províncias estão nas circunstâncias do primeiro homem.

Quando a fatal curiosidade de Eva fez-lhes perder o paraíso, cessou, com essa degradação, a vantagem de uma temperatura igual e agradável. Nasceu o calor e o inverno; vieram as neves, os tufões, as secas, todo o cortejo de males, distribuídos pelos doze meses do ano.

Suonko: "por Wilhelm Simmler"
Wilhelm Simmler
Não posso dizer positivamente em que ano nasceu a crônica; mas há toda a probabilidade de crer que foi coetânea das primeiras duas vizinhas. Essas vizinhas, entre o jantar e a merenda, sentaram-se à porta, para debicar os sucessos do dia. Provavelmente começaram a lastimar-se do calor. Uma dia que não pudera comer ao jantar, outra que tinha a camisa mais ensopando que as ervas que comera. Passar das ervas às plantações do morador fronteiro, e logo às tropelias amatórias do dito morador, e ao resto, era a coisa mais fácil, natural e possível do mundo. Eis a origem da crônica.

Que eu, sabedor ou conjeturador de tão alta prosápia, queira repetir o meio de que lançaram mãos as duas avós do cronista, é realmente cometer uma trivialidade; e contUdo, leitor, seria difícil falar desta quinzena sem dar à canícula o lugar de honra que lhe compete. Seria; mas eu dispensarei esse meio quase tão velho como o mundo, para somente dizer que a verdade mais incontestável que achei debaixo do sol é que ninguém se deve queixar, porque cada pessoa é sempre mais feliz do que outra.

Não afirmo sem prova.

Fui há dias a um cemitério, a um enterro, logo de manhã, num dia ardente como todos os diabos e suas respectivas habitações. Em volta de mim ouvia o estribilho geral: que calor! Que sol! É de rachar passarinho! É de fazer um homem doido!

Íamos em carros! Apeamo-nos à porta do cemitério e caminhamos um longo pedaço. O sol das onze horas batia de chapa em todos nós; mas sem tirarmos os chapéus, abríamos os de sol e seguíamos a suar até o lugar onde devia verificar-se o enterramento. Naquele lugar esbarramos com seis ou oito homens ocupados em abrir covas: estavam de cabeça descoberta, a erguer e fazer cair a enxada. Nós enterramos o morto, voltamos nos carros, c dar às nossas casas ou repartições. E eles? Lá os achamos, lá os deixamos, ao sol, de cabeça descoberta, a trabalhar com a enxada. Se o sol nos fazia mal, que não faria àqueles pobres-diabos, durante todas as horas quentes do dia?
Machado de Assis

terça-feira, fevereiro 14

Café da manhã

mzapplebee:
“ Elisa Ferro
”
Elisa Ferro

Uma rua só para livros

A rua dos livros é uma das grandes atrações na Cidade de Ho Chi Minh, antiga Saigon, no Vietnam. São 144 metros de extensão com 20 lojas, gerenciadas pelos principais editores, distribuidores e organizações do país, oferecendo uma série de atividades que promovem a cultura da leitura para a população local e os visitantes estrangeiros.


Duas lojas de café com livros e uma zona infantil oferecem leitores e crianças um lugar para relaxar e desfrutar de seus livros favoritos.

A rua também oferece talk shows entre leitores e autores, discussões sobre hábitos de leitura e habilidades, bem como apresentações de música todos os fins de semana.

Eterna magia

La magia de los libros (ilustración de Simona Mulazzani )
Simona Mulazzani   

A biblioteca é um bem penhorável?

Estava em Cuenca, no Equador, quando acordei com a notícia no site da Rádio Gaúcha Grupo RBS anunciando que a Universidade de Caxias do Sul (UCS), em minha cidade natal, havia penhorado a sua biblioteca como garantia de dívidas ligadas a processo de filantropia.

Ainda meio sonolento, quase não acreditei no que lia, mas, de pronto, dois pensamentos me ocorreram: como podemos mensurar o conhecimento para penhorá-lo? E como uma universidade poderia se desfazer de sua biblioteca?

Conforme a matéria, a UCS penhorou o acervo de 1 milhão de livros das 12 bibliotecas avaliado, pela própria instituição, em R$ 130 milhões.

Resultado de imagem para penhora de biblioteca

A UCS é a maior universidade de Caxias do Sul e região da Serra Gaúcha, que em 2017 completa 50 anos de atividade, com quase 100 mil alunos graduados. Quando uma universidade penhora as suas bibliotecas, isso significa que elas valem muito ou que se pode prescindir delas, que são descartáveis?

Senti uma profunda tristeza em ver que mais uma vez o conhecimento e a leitura podem ser tratados apenas como valor de mercadoria. Com certeza houve um estudo do acervo e do seu valor no mercado. Mas como avaliar o valor institucional, de fruição e de formação de uma biblioteca universitária? Quantas pesquisas e estudos foram realizados entre as prateleiras dessas bibliotecas? Quantos engenheiros, médicos, jornalistas, pedagogos se utilizaram deste centro de conhecimento e informação para desenvolver suas teses e sua formação?

Eu mesmo, que fui estudante de Comunicação Social e de Literatura, recorri muito ao seu acervo. A biblioteca foi e continua sendo fundamental na minha formação!

Para o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas do Governo Federal, as bibliotecas universitárias, “tem por objetivo apoiar as atividades de ensino, pesquisa e extensão por meio de seu acervo e dos seus serviços. Atende alunos, professores, pesquisadores e comunidade acadêmica em geral. É vinculada a uma unidade de ensino superior, podendo ser uma instituição pública ou privada. A Biblioteca Universitária dá continuidade ao trabalho iniciado pela Biblioteca Escolar”.

Então, sigo me questionando, como a UCS pode penhorar suas bibliotecas? Caso a universidade perca o processo de dívida sobre filantropia, os alunos dos mais de 100 cursos ficarão sem ter onde realizar as suas pesquisas e estudos complementares?

Segundo os dados da pesquisa realizada pelo Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa, em parceria com o Ibope, sobre o Indicador de Alfabetismo Funcional - INAF, revelam que somente 22% da população que chegou ou concluiu o curso superior em uma universidade está nível pleno de alfabetismo. Entre os outros alunos, 42% se encontram no nível intermediário e 32% no nível elementar. Esse é o panorama dos cidadãos brasileiros que ocupam e ocuparão diferentes posições / funções na sociedade, incluindo os de gestores públicos que não conseguem entender o valor deste equipamento democrático. Um equipamento que pode receber os estudantes de instituições públicas ou privadas. Pode receber o filho do médico ou o filho da cozinheira. Na biblioteca não há classe social. A única classificação que se permite em uma biblioteca é a organização por área de conhecimento. Mesmo assim, essa sistematização nunca deve ser muito estanque.

A cada dia tenho despertado com notícias que corroboram com a ideia de que a biblioteca é descartável! Como notícias mostrando o descaso de instituições públicas, privadas e governos, independentes de partidos políticos, sobre estes equipamentos que contribuem para o desenvolvimento de uma sociedade que questiona, que pensa, que participa, que argumenta.

Se uma biblioteca universitária colabora para colocar bons profissionais no mercado de trabalho com capacidade de criar, criticar e transformar, o que acontece nas universidades que não tem bibliotecas ou estão com suas bibliotecas em mal estado de conservação, com acervo defasado e profissionais desqualificados?

Conheço a biblioteca da UCS e sei que ela está em bom estado de uso, com bons equipamentos, acervo atualizado e bons profissionais. Isso só faz aumentar a minha preocupação por saber que ela está penhorada e por isso pode deixar de atender a tantos alunos.

A universidade até poderá sanar sua dívida com o Governo Federal, mas é impossível pagar uma dívida contraída com a sociedade por deixar de dar acesso a uma biblioteca.

segunda-feira, fevereiro 13

Família unida pela leitura

Scholastic Read Every Day Poster by Nancy CARPENTER (Artist, Author. USA). Available at link.  [Do not remove caption. The law requires that you credit the artist. List/Link directly to artist's website.]   HOW TO FIND the artist who created an image & the original artist's website:   http://www.pinterest.com/pin/86975836525507659/ PINTEREST on COPYRIGHT: http://www.pinterest.com/pin/86975836526856889/:

Homem acha livros emprestados há 42 anos e paga multa

Resultado de imagem para livros emprestados
O norte-americano Jon Kramer ama livros. A paixão vem de família, já que ele, seus irmãos e seus pais sempre foram “ratos de biblioteca”. Durante a juventude, nos anos 60 e 70, ele sempre frequentava a biblioteca do condado de Montgomery, em Maryland (EUA), onde morava.

Em novembro do ano passado, fazendo uma pesquisa na biblioteca que os pais, já mortos, mantinha em uma casa na fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá, Kramer encontrou dois livros emprestados justamente da biblioteca do condado de Montgomery há 42 anos.

Naquela época, a multa para cada dia de atraso na devolução de um livro era de US$ 0,05. Kramer fez as contas e, baseado no fato de que os livros deveriam ter sido entregues 31.046 dias antes, chegou ao assombroso valor de US$ 1.552,30 (cerca de R$ 5.048).

O valor máximo cobrado pela biblioteca do condado de Montgomery é de US$ 15 (cerca de R$ 48). Mas Kramer não se importou e, por conta própria, mandou o cheque com o valor completo da multa e uma carta à bibliotaca.

Segundo o jornal Washington Post, Kramer quis fazer algo de bom na época do dia de Ação de Graças, um dos principais feriados americanos.

Os livros emprestados pela família Kramer são “The New Way of Wilderners”, de 1958, escrito por Calvin Rutstrum e que traz dicas de acampamentos, e “365 Meatless Main Dishes”, de 1974, com receitas de pratos vegetarianos.

Kramer se lembrou dos dois livros, que não são mais publicados há algum tempo. Foi a segunda publicação que mais chamou a atenção dele. O homem estava fazendo uma pesquisa para escrever um livro de receitas da família quando encontrou o tal livro.

Folheando, encontrou o selo da biblioteca e a informação de que o livro teria saído de lá em dezembro de 1974.

Na carta enviada à biblioteca, Kramer diz que vai permanecer com os livros pelos próximos “85 anos ou algo assim”, quando espera poder fazer mais um pagamento com a nova multa.
Fonte: UOL